naturalidade
Manaus (AM)
fontes
Buscacio, Cesar Maia. Americanismo e nacionalismo musicais na correspondência de Curt Lange e Camargo Guarnieri (1934-1956). Ouro Preto: Editora UFOP, 2010.

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (memoria.bn.br)

Denis Molitsas. Comunicação pessoal.

Martins, José Eduardo. “Escola pianística do professor José Kliass”. Site http://blog.joseeduardomartins.com/index.php/2012/04/14/escola-pianistica-do-professor-jose-kliass/ Publicado em 14/04/2012. Acesado em 04/11/2016

Martins, Yves Gandra da Silva. “Lidia Simões”, nota publicada no Jornal “A Cidade” em 22//07/1952.

Silva, Flávio. Camargo Guarnieri o Tempo e a Música. Rio de Janeiro: Funarte, 2001.

Verhaalen, Marion. Camargo Guarnieri - expressões de uma vida. São Paulo: Edusp, 2001.
Atualizado em 14.09.2017
VERBETE

Lidia Simões

N. 1912
F. 1985
Por Alexandre Dias

Lidia Simões [Lydia Simões Prado] nasceu em Manaus (AM) em 1912, e iniciou seus estudos de piano ainda criança, no Externato Musical Joaquim Franco, na mesma cidade. Em 1921, aos nove anos, participou de um dos recitais da escola interpretando um Improviso de Schubert. 

No início da década de 1920, a família mudou-se para São Paulo, onde Lidia passou a estudar no Conservatório Dramático e Musical, na classe de Victoria Serva Pimenta. A partir de 1923, os jornais paulistas fazem referência a participações de Lídia em pequenos concertos, recitais beneficentes e festivais, interpretando obras como O pequeno burrinho branco, de Jacques Ibert; Murmúrios na floresta, La Campanella e Rapsódia No.10, de Liszt; Polonaise Op.44, Estudos Op.25 No.4, Op.25 No.5, Op.25 No.11, e 3ª Balada, de Chopin; Sonata Waldstein Op.53 de Beethoven; a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Gottschalk; La Jongleuse, de Moszkowski; Tambourin de Rameau (tanto na versão original como na transcrição de Godowsky), e transcrições como Hopak (Mussorgsky-Rachmaninoff) e Marcha turca de “As Ruínas de Atenas” (Beethoven-Rubinstein). A música brasileira ainda não aparecia com frequência em seu repertório, limitando-se a poucas peças, como o Improviso de Henrique Oswald. Em 1925, deu um recital solo no salão do Conservatório Dramático e Musical - sua interpretação dos autores modernos foi elogiada pela crítica - e até 1929 ainda aparece como aluna do Conservatório, participando de recitais da classe da professora Pimenta.

Casou-se com Agenor Prado provavelmente no início da década de 1930, e, em 1932, nasceu sua filha Maria Lucia Simões Prado.

Em 1934, participou de uma palestra do prof. Caldeira Filho no salão da Cúria Metropolitana, em São Paulo, interpretando uma das baladas de Chopin (a palestra foi dedicada às quatro baladas, sendo cada uma interpretada por uma pianista).

Consta que foi aluna de Joseph Kliass, provavelmente após sua formatura no curso de piano, na década de 1930. E, provavelmente no início da década de 1940, cursou as classes de teoria superior e estética musical ministradas por Camargo Guarnieri. O contato com Guarnieri representou um marco na carreira de Lidia, que passou a se especializar na obra deste compositor nos anos seguintes, realizando diversas estreias mundiais. Os jornais chegaram a referir-se a ela como a "intérprete titular" de Guarnieri, que viria a lhe dedicar as seguintes obras: Valsa No.4 (1943), Concerto para piano e orquestra No.2 (1946), Dança Negra (1946), Ponteio No.13 (1948), Estudo No.3 (1949), e Variações sobre um tema nordestino para piano e orquestra (1953).

Em 1944, solou o Concerto No.1, de Guarnieri, sob regência do autor no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), e, em 1945, repetiu este concerto no Uruguai, Argentina e Chile, também sob a regência de Guarnieri (foi feita uma gravação não-comercial da apresentação realizada no Chile, cuja fita-rolo está depositada na Universidade do Texas).

Em 1946, no Theatro Municipal de São Paulo (TMSP), interpretou a Toccata de Guarnieri, e, no mesmo recital, fez a primeira audição de diversas peças do compositor: Choro torturado, Lundu, Sonatina No.3, e a hoje famosa Dança Negra. Outras peças de Guarnieri que faziam parte do repertório de Lidia nesta época eram a Valsa No.5, e a Dança Brasileira.

Em 1947, fez a estreia mundial do Concerto No.2 para piano e orquestra de Guarnieri em Nova York, com a Orquestra da CBS sob regência do compositor, e voltou a solar este concerto no TMSP no mesmo ano, e no TMRJ dois anos depois, também sob regência de Guarnieri.

Em 1949, no Rio de Janeiro, foi classificada em 2º lugar no “Concurso Chopin de Gravações” (por ocasião do centenário do compositor polonês), patrocinado pelo Correio da Manhã e promovido pela gravadora Continental. Participaram do concurso 29 pianistas, que realizaram gravações não-comerciais da 4ª Balada de Chopin exclusivamente para a ocasião (na época, em 78-RPM) - a pianista Lucy Salles ficou em 1º lugar. Foram jurados Fructuoso Vianna, Andrade Muricy e Ayres de Andrade.

Em 1950, interpretou o Concerto em Fá, de Gershwin, no TMRJ, com orquestra sob regência de Lamberto Baldi, e, em 1954, fez a 1ª audição das Variações sobre um tema nordestino, de Guarnieri, sob a regência de Nino Stinco, no TMRJ, apresentando-as também no TMSP no mesmo ano.

Em 1956, gravou seu único disco, com as obras Sonatina No.3, Estudos No.1 e No.3, Valsa No.4, Ponteio No.19 e Choro Torturado, todas de Guarnieri. O LP era intitulado “Música Brasileira Vol.5” (Sinter SLP-5), e foi produzido pelo Ministério das Relações Exteriores em parceria com a Rádio MEC.

Em 1963, interpretou o Concerto de Schumann no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com orquestra sob regência de Souza Lima, vindo a repetir o concerto no mesmo ano no Teatro da TV Tupi, em São Paulo, como parte do programa “Música Sempre Música”, apresentado por Heitor de Andrade, com orquestra sob regência do maestro Bernardo Federowski.

Após 1963, não se encontram mais referências sobre sua carreira, e veio a falecer em 1985.