naturalidade
Rio de Janeiro (RJ)
fontes
- AGUIAR, Ronaldo Conde. Almanaque da Rádio Nacional – Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007.
- AMARAL JÚNIOR, José de Almeida. Chorando na Garoa- Memórias Musicais de São Paulo. 2013.
- CARDOSO JUNIOR, Abel. Francisco Alves - As Mil canções do Rei da Voz. Revivendo, 1998.
- Catálogo online do Instituto Moreira Salles http://acervo.ims.com.br/
- CAZES, Henrique. Choro: do quintal o Municipal – São Paulo: Editora 34, 1998.
- Dicionário Houaiss Ilustrado (da) Música Popular Brasileira. Supervisão geral: Ricardo Cravo Albin. - Rio de Laneiro: Paracatu, 2006.
- DINIZ, André - Alamanaque do Choro: a história do chorinho, o que ouvir, o que ler, onde curtir. 2. Ed. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2003.
- Entrevista de Carolina Cardoso de Menezes a Luiz Carlos Saroldi e Ney Hamilton para a Rádio Jornal do Brasil, programa “Noturno”, em 20/06/1978.
- Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional (memoria.bn.br)
- MADEIRA, Maria Teresa Madeira. Carolina Cardoso de Menezes, a pianeira. Tese de doutorado. UniRio, 2016.
- MARCONDES, Marcos A. (org.). Enciclopédia da música brasileira, 2a ed., Publifolha, 1998.
- Revista da Música Popular/nº 7/maio/junho/1955.
- Revista da Música Popular/nº 9/setembro/1955.
- Site https://sites.google.com/site/ribasmusicos2/Judite-Riche-Ribas
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Agradecimentos a Maria Teresa Madeira, Adilson Santos, Pedro Amorim e Marco Bernardo.
Atualizado em 07.03.2018
VERBETE

Carolina Cardoso de Menezes

N. 27 de May de 1913
F. 31 de December de 2000
Por Alexandre Dias e Laura Macedo

Carolina Cardoso de Menezes, compositora e pianista, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 27 de maio de 1913. O ano de 1916 é citado em muitas biografias como o de seu nascimento, mas foi corrigido por Maria Teresa Madeira com base em pesquisa documental e entrevistas, embora seu registro de nascimento ou a certidão ainda não tenham sido encontrados. Carolina pertencia ao “clã” dos Cardoso de Menezes, família de ótimos pianistas e compositores, a exemplo do seu pai, Oswaldo Cardoso de Menezes, compositor e pianista popular famoso, e de seus avós, Antonio Cardoso de Menezes e Judith Ribas, que chegaram a se apresentar em recital a quatro mãos para o imperador D. Pedro II. Seu tio, Frederico Cardoso de Menezes, era autor teatral, e chegou a escrever quatro peças com música de Chiquinha Gonzaga. Sua mãe, Mercedes Gertrudes, mais conhecida como Dona Sinhá, era pianista e tocava em reuniões familiares, e seu tio por parte de mãe, Alberico de Souza, conhecido como Bequinho, também era um grande pianista popular.

O primeiro contato de Carolina com o piano foi aos dois anos e, dali até os 12, aprendeu a tocar de ouvido, sem ter aulas. Quando criança, Carolina costumava acompanhar a mãe ao piano em temas populares a quatro mãos. Consta que uma de suas professoras, por pouco tempo, teria sido a maestrina e pianista Chiquinha Gonzaga, amiga da família, porém esta informação ainda carece de evidências.

Aos 13 anos, iniciou seus estudos formalmente com Zaíra Braga, aperfeiçoando-se com Gabriel de Almeida e Paulino Chaves por oito anos no Instituto Nacional de Música, embora não tenha concluído o curso de piano.

Em 1928, quando tinha 15 anos, fez sua estreia em rádio, tocando na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira estação de rádio brasileira, fundada em 1923 por Roquette Pinto, vindo a ser contratada como profissional mais tarde, em 1930, pela mesma emissora, onde ganhou um concurso como a melhor pianista. Ainda em 1928, seu nome apareceu pela primeira vez em um selo de disco 78-RPM, como autora da canção Gauchita formosa, em interpretação de Francisco Alves. Porém, segundo a própria Carolina em entrevista a Abel Cardoso, esta música fora composta por seu pai, Oswaldo Cardoso de Menezes, que a quis colocar como autora.

Sua estreia de fato em disco foi 1929, como intérprete, quando participou da histórica gravação do samba "Na Pavuna", de Almirante e Homero Dornelas, com o Bando de Tangarás (integrado por Almirante, Noel Rosa, Braguinha e outros), o primeiro a reproduzir em estúdio uma batucada com tamborim, cuíca, surdo e pandeiro.

No ano seguinte, aos 17 anos, concluiu o Curso de Teoria e Solfejo, pelo Instituto Nacional de Música (INM), vindo a estudar harmonia, em seguida, com seu primo, o compositor e violoncelista Newton Pádua. Segundo Maria Teresa Madeira, Carolina recebeu nesta época uma proposta de Madame Guinle, Gilda de Oliveira Rocha (1886-1975), para financiar seus estudos em Paris, mas Dona Gertrudes (mãe de Carolina) não permitiu que ela saísse do país, vindo a concentrar sua prolífica trajetória profissional nas rádios cariocas, e estúdios de gravação. Carolina viria a gravar nas décadas seguintes inúmeros discos, seja como pianista solista, seja como acompanhadora de cantores e de outros instrumentistas, em um repertório que abrangia grandes compositores nacionais, incluindo suas próprias composições.

Em 1931, portanto aos 18 anos, aparece como solista pela primeira vez em gravação, com as músicas “Foi um sonho”, de Glauco Viana, e “Tempos que se foram”, de seu tio Alberico de Souza (Bequinho), além de suas próprias composições “Good-bye”, “Ela me trata bem”, “Comigo mesma”, e “Eu passo”, esta última também gravada no mesmo ano pelo Trio T. B. T. Nesta época, participou do Festival Parlophon no Teatro Cassino Beira-Mar, ao lado de Eduardo Souto, Bando de Tangarás, Elisa Coelho, Ary Barroso, Luperce Miranda, Tute e outros.

A partir da década de 1930, teve algumas de suas composições gravadas por diversos cantores de renome, como Francisco Alves, Gilberto Milfont, Silvio Caldas, Quatro azes e um Coringa, Carlos Galhardo, Lúcio Alves, Vitório Lattari, Jorge Fernandes, Manoel Reis, Orlando Silva, Cauby Peixoto, e Linda Batista. Nesta década, também registrou como intérprete outras de suas próprias músicas, como “My sweet heaven”, “I have Money”, “Comigo é assim”, “Preludiando”, e “Novidade”.

Carolina rapidamente se tornou referência em suas interpretações de choros e sambas ao piano, oferecendo uma linguagem marcada pelo virtuosismo pianístico, aliada a uma grande riqueza rítmica. Uma de suas assinaturas era sua técnica de stride, em que a mão esquerda fazia saltos entre baixos e acordes, similar ao ragtime, porém com a mão direita tocando a melodia em oitavas nos contratempos, explorando bastante as síncopes da música. Parte deste estilo, principalmente da mão esquerda, deveu-se à influência do jazzista americano Fats Waller, segundo depoimento da própria Carolina em entrevista à Rádio JB em 1978.

Em 1935, é contratada pela Rádio Tupi como pianista acompanhadora e também como solista, permanecendo até 1944. Nesta época comandou um programa diário, de 15 minutos de duração. Lá acompanhou diversos cantores, como Carmen Miranda, Jorge Fernandes, Elisinha Coelho, Aracy de Almeida, Francisco Alves, Sílvio Caldas, além dos estrangeiros Josephine Baker, Pedro Vargas, Ortiz Tirado, Jean Sablon.

Ainda em 1935, gravou o choro Caboclinha, cuja primeira parte é de seu pai, e a segunda e terceira são de Carolina. Nos anos subsequentes, passa a gravar cada vez mais sambas, choros, fox-trots, boleros, baiões, e marchinhas de carnaval, deixando gravações antológicas, frequentemente apresentando-as em pot-pourris.

Em 1939, participou como pianista da conferência “Ernesto Nazareth e a Música Brasileira”, proferida pelo compositor e musicólogo Brasílio Itiberê II e promovida pela Associação dos Artistas Brasileiros, no Salão Leopoldo Miguez, da Escola Nacional de Música. Carolina interpretou nesta ocasião as peças “Turbilhão de beijos”, “Tenebroso” e “Coração que sente”. Também participaram deste evento Mário Azevedo, Arnaldo Rebello, Henrique Vogeler, e o conjunto regional de Dante Santoro. Entre 1943 e 1944, realizou uma série de gravações antológicas com o multi-instrumentista Garoto, totalizando 10 músicas, além de apresentações em programas de rádio. Nesta época também se apresentava na Rádio Tupi com o quarteto vocal Tupan, que era coordenado por ela.

Depois de passar pelas rádios Sociedade, Educadora, Philips, Mayrink Veiga e Rádio Club, foi contratada como pianista solista pela Rádio Nacional em 1949, onde viria a apresentar o programa semanal “Carolina e seu piano”, que tinha como música de abertura sua composição “Preludiando”.

Em 1950, embarcou para Portugal com a Companhia Eva Todor para uma série de apresentações, integrando o conjunto que acompanhou a temporada teatral. Além disso, executava músicas brasileiras durante os intervalos. Neste mesmo ano, gravou suas músicas Pombo Correio e Regressando.

Na década de 1950, gravou praticamente um disco por ano, contendo principalmente sambas, mas também alguns choros, composições suas, e músicas internacionais. Alguns LPs desta época são “Reminiscências” (1954, com uma reunião de gravações feitas em 78-RPM), “Sucessos em desfile No.1” (1954), “Sucessos em desfile No.2” (1955), “Lembrando Carmen Miranda” (1955), “Honeymoon in Rio” (1956, relaçamento de gravações anteriores), “Teléco Téco” (1957), “Carolina viaja pelas cidades do mundo” (1957), “Boite Carolina” (1957), e “Tapete mágico” (1958).

Em 1952, lançou o LP 10’’ “Carolina Cardoso de Menezes interpreta Ernesto Nazareth”, contendo oito gravações. Este disco tem uma importância histórica, pois foi o primeiro LP no mundo inteiramente dedicado a Ernesto Nazareth. Em 1957, gravou o compacto duplo “Carolina toca Nazareth”, com mais quatro gravações.

Em 1954, Ary Barroso publicou uma matéria na Revista da Música Popular, por ocasião da morte do grande pianista Nonô (Romualdo Peixoto), em que comparava Carolina a ele: “Com Nonô foi-se uma época radiosa do samba. Resta-nos hoje Carolina Cardoso de Menezes que é, sem dúvida, o Nonô feminino. Nonô e Carolina guardavam o segredo de uma chave que ninguém, hoje em dia, é capaz de decifrar, e não decifra porque ninguém hoje em dia pode ser Nonô ou Carolina”. De fato, existem semelhanças importantes entre os estilos de ambos, que ficam evidentes, por exemplo, ao se comparar o choro “Comigo é assim”, de Carolina, e o choro “Uma farra em Campo Grande”, de Nonô, que Carolina gravou em 1953.

Em 1955, participou do II Festival da Velha Guarda, organizado por Almirante, na Rádio Record de São Paulo. Por volta de 1958, por um breve período foi proprietária de uma casa noturna chamada “Boite Carolina”, situada na avenida Atlântica, esquina com a rua Joaquim Nabuco, em que atuava também como pianista.

Na década de 1960, lançou os discos “Um mundo de músicas” (1960), “Encontro de ritmos” (1960), “Carolina no samba” (1960), “Carolina e o sucesso” (1961), “Telecoteco de ontem e de hoje” (1962).

Em 1967, compôs a marcha-rancho "Aquela rosa que você me deu", em parceria com Armando Fernandes, que, interpretada por Ellen de Lima no II Concurso de Músicas de Carnaval (1968), promovido pelo Museu da Imagem e do Som (RJ) e pela Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara, ficou classificada em segundo lugar, graças à influência de dois jurados, seus declarados admiradores, Jacob do Bandolim e Ricardo Cravo Albin, que queriam a música em primeiro lugar, atribuído afinal a Zé Kéti.

Aposentou-se da Rádio Nacional em 1968, vindo a diminuir suas atividades artísticas, apesar de continuar a se apresentar até o fim da vida. Em 1972, foi lançado o LP “O piano de Carolina – No tempo dos bons tempos Vol.1”, contendo relançamentos de gravações suas da década de 1950.

Em 1986, participou do antológico LP “Os pianeiros”, interpretando ao piano solo “Odeon” (Ernesto Nazareth), “Mulher” (Oswaldo Cardoso de Menezes), “Sete Coroas” (Sinhô), “O maxixe” (Aurélio Cavalcanti), “Do sorriso da mulher nasceram as flores” (Eduardo Souto), e “Tempos que se foram” (de Alberico de Souza “Bequinho”). Participaram deste disco também os pianistas Aloysio de Alencar Pinto e Antonio Adolfo.

Em 1987, participou do CD “Memória do piano brasileiro Vol.1”, que incluiu quatro interpretações suas ao vivo no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Nesta época, também se apresentou em shows no Rio de Janeiro com o bandolinista Pedro Amorim, interpretando clássicos da música brasileira, como “Serra da Boa Esperança” (Lamartine Babo), marcados por improvisações de ambos os músicos.

Em 1989, a Eldorado lançou o LP "Fafá e Carolina”, com 13 composições interpretadas por ela com o violinista Fafá Lemos, entre as quais "No rancho fundo" (Ary Barroso/ Lamartine Babo), "Tudo cabe num beijo" (Carolina Cardoso de Menezes), "Ninguém me ama" (Fernando Lobo/Dolores Duran) e "Conversa de botequim" (Noel Rosa/Vadico). Uma destas faixas é o choro “Bem-te-vi atrevido”, de Lina Pesce, em que se pode ouvir Carolina como solista, e, na faixa “Curió dengoso”, de autoria de Carolina, podemos ouvi-la em uma experiência única em sua discografia, tocando a dois pianos consigo mesma, por meio da técnica de overdub.

Em 1997, gravou seu último disco, o CD “Preludiando” pelo selo Accoustic, com clássicos da música brasileira, como “Odeon” (Ernesto Nazareth), “Lamento” (Pixinguinha), “Adeus Guacyra” (Hekel Tavares/Joracy Camargo) e “Linda Flor” (Henrique Vogeler). Também constam sete composições suas: “Preludiando”, “Lembrando Nazareth”, “Bachianas Cariocas No.1”, “Duas Américas”, “Ligia” (parceria com Bidú Reis), “Caboclinha” (parceria com Oswaldo Cardoso de Menezes), e “Maroto”. Em março do mesmo ano, participou do evento que comemorou a doação do piano de Ernesto Nazareth ao Museu da Imagem e do Som (RJ), juntamente com as pianistas Maria Alice Saraiva e Maria Teresa Madeira.

Em junho de 2000, participou de um recital na Sala Cecília Meireles no Rio de Janeiro, a fim de angariar fundos para a Rádio MEC, interpretando duas músicas suas e uma de Chiquinha Gonzaga. Em setembro, realizou um recital inteiro no programa Sala de Concerto, ao vivo pela Rádio MEC, e em outubro fez sua última aparição pública, na Sala Funarte (RJ), em recital da pianista Maria Teresa Madeira, interpretando duas músicas suas, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu.

Carolina deixou uma vasta obra, que inclui as seguintes músicas: “Preludiando”, fox; “Maroto”; “Caboclinha” (com Oswaldo Cardoso de Menezes), choro (1933); “Ausência...”, fox (com Elza Marzullo), fox-canção (1938); “Comigo é assim”, choro; “Era tão lindo o meu amor”, canção (1932); “Esquina da vida” (com Armando Fernandes), samba (1954); “Eu e ela”, samba-canção (com René Bittencourt) (1958); “Mentiras”, bolero (com Armando Fernandes) (1958); “Nós dois”, samba (com Armando Fernandes), samba (1954); “Nosso mal”, samba (1953); “Papai Noel”, canção (com George André), canção (1931); “Pombo-correio”, choro (1931); e “Preludiando”, fox (1932); “Lígia” (com Bidú Reis); “Duas Américas”; “Bachianas Cariocas No.1”; “Coração amargurado”; “Ping-pong”; “Aquela rosa que você me deu" (com Armando Fernandes), marcha-rancho; “Nossa melodia”; “Salada Chinesa” (com Victorio Lattari); “Amor, delicioso amor”; “Eu passo”; “Gibi bacurau”, coco/baião; “Tudo cabe num beijo”, fox-canção (com Oswaldo Santiago); “Ela me trata bem”; “Comigo mesma”; “Goodbye”; “My sweet heaven”; “I have Money”; “Já fui feliz...”, canção (com Saint-Clair Senna); “Rosas amarelas para uma pianista”, valsa (dedicada a Maria Alice Saraiva) (1987); “Regressando”, choro; “Lembrança de Noel”, samba (com Armando Fernandes); “Eu sou do barulho”, choro; “Pombo correio”, choro; “Chance” (com Armando Fernandes), samba-canção; “Rio”, chorinho carioca (1994); “Samba no Rio”, samba; “Baiano”, batuque; “Carioca”, batuque; “Paulista”, batuque; “Mineiro”, batuque; “Matogrossense”, batuque; “Feche a porta, compadre”; “Puladinho”, baião; “Batuquente”; “Boa sorte”, baião; “Curió dengoso”; "Fla-flu"; "Vem cá, meu amor", baião; "Eu abro mão", samba-canção; "Madrugada", samba (com Orlando Leite e Jarbas Reis); "Derrapando na Gávea", choro; "Suplicando", samba; "Quem sou eu pra perdoar", samba; "Palavra de honra", samba (com Armando Fernandes); "Expressinho", choro; "Nossa amizade", choro (com Everaldo Bahia); "Beijos de amor", bolero (com Everaldo Bahia); "Isto sim é amor"; samba-canção (com Elza Marzulo); "Recordar é viver", bolero (com Armando Fernandes e Célio Monteiro); "Revoltado", samba (com René Bittencourt); "Olinda pernambucana", frevo (com Armando Fernandes); "Tu, só tu", samba-canção (com Armando Fernandes); "Culpado", samba (com Carioca e Flavio Miranda); "Brasil rock", rock; "Desligue este rádio", samba (com Armando Fernandez); "Rapadura", choro; e “Novidade”.

Também atuou como arranjadora para o mercado editorial, de músicas como “Meu limão, meu limoeiro” (folclore), e “Flor de lis”, canção mexicana (de Maria Teresa Lara e Agustín Lara). Além disso, na década de 1940, transcrevia para a pauta os sambas de Billy Blanco, seu vizinho. Recebeu algumas músicas em sua homenagem, como o fox “Carol”, do pianista Bené Nunes, e a peça “Matintaperera” (No.4 da série “Lendas amazônicas”), de Waldemar Henrique e Antonio Tavernard.

No final da vida, apesar da idade avançada e de problemas de saúde, ainda recebia com prazer convites para recitais. Até sua morte, ocorrida no último dia do ano de 2000 (e também último dia do século XX), aos 87 anos, residiu de maneira modesta no bairro do Méier, Zona Norte carioca. Foi enterrada no Cemitério São João Batista no primeiro dia do ano 2001, quando a cidade celebrava o final do réveillon.

Em outubro de 2002, a pianista Maria Teresa Madeira homenageou Carolina com um recital no programa Sala de Concerto, da Rádio MEC, interpretando várias de suas obras. Nesta época, também gravou um CD dedicado a Carolina, que permanece inédito.